quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Ano Novo e o Guerreiro da Luz por Paulo Coelho para ATRevista

Um guerreito da luz nunca esquece a gratidão. Durante 365 dias passados, foi ajudado pelos anjos; as forças celestiais colocaram cada coisa em seu lugar e permitiram que ele pudesse dar o melhor de si. E foi ajudado por seus amigos, que estiveram do seu lado.

Um guerreiro não precisa que ninguém lhe recorde a ajuda dos outros; ele se lembra sozinho, divide com eles a recompensa e as decisões do futuro.

Aprendendo a Esperar

Um guerreiro da luz respeita o principal ensimanento do I Ching: “A perseverança é favorável”. Mas sabe que a perseverança nada tem a ver com a insistencia. Existem épocas que os combates se prolongam além do necessário, exaurindo suas forças e enfraquecendo seu entusiasmo.

Nestes momentos, o guerreiro reflete: “Uma guerra prolongada termina destruindo o próprio pais vitorioso”.

Então retira suas forças do campo de batalha e dá uma trégua a si mesmo. Persevera em sua vontade, mas sabe esperar o momento para um novo ataque.

Um guerreiro sempre volta à luta. Mas nunca faz isso por teimosia – e sim porque nota a mudança no tempo.

Entendo as Própias Qualidades

Um guerreiro da luz conhece seus defeitos. Mas conhece também suas qualidades.

Alguns companheiros queixam-se o tempo todo: “Os outros têm mais oportunidades que nós”.

Talvez tenham razão; mas um guerreiro não se deixa paralisar por isto; ele procura valorizar ao máximo as suas virtudes.

Sabe que o poder da gazela é a habilidade de suas pernas. O poder da gaivota é a sua pontaria para atingir o peixe. Aprendeu que um tigre não em medo da hiena, porque é consciente de sua força.

Um guerreiro procura saber se pode contar com estas três virtudes: habilidade, pontaria e consciência de si mesmo.

Se as três estão presentes, ele não hesita em seguir em diante. Se não estão, adestra-se ate que possa confiar em suas atitudes.

Aprendendo o Objetivo

Um guerreiro da luz, antes de entrar num combate importante, pergunta a si mesmo: “Até que ponto desenvolvi minhas habilidade¿”.

Ele sabe que as batalhas que travou no passado sempre terminaram por ensinar alguma coisa. Entretanto, muito destes ensinamentos fizeram o guerreiro sofrer além do necessário. Em mais de uma vez, ele perdeu seu tempo, lutando por uma mentira.

Mas os vitoriosos não repetem o mesmo erro.

Um guerreiro não pode recusar a luta: mas sabe também que não deve arriscar sentimentos importantes, em troca de recompensas que não estão a altura do seu amor.

Por isso, o guerreiro só arrisca seu coração por algo que vale a pena.

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